quarta-feira, 27 de março de 2013

Revista Claúdia


Giovanna Antonelli revela seu lado controladora e diz que queria ser mais relaxada!

Ela é controladora assumida, dessas que centralizam e organizam pessoalmente tudo, da rotina dos filhos à da casa. Identificou-se? Pois a atriz Giovanna Antonelli também gostaria muito de saber delegar as tarefas
giovanna-antonelli-entrevista-capa-claudia
Há quatro livros sobre o criado-mudo da atriz Giovanna Antonelli, 36 anos: dois romances eróticos, uma reunião de contos e um depoimento de uma mulher com transtorno alimentar. Faz dias que a atriz, no ar como a delegada Heloísa na novela Salve Jorge, da TV Globo, esforça-se para concluir alguma das obras, todas lidas simultaneamente. Quando gosta de um livro, não importa que ainda esteja na página 15 de outro, vai lá e compra. Se por acaso encanta-se com um terceiro, incorpora-o à coleção de leituras inacabadas. E não é raro que esse hábito provoque um nó na cabeça dela: esse personagem é do romance erótico ou de algum conto? “É um sofrimento. Às vezes leio dez páginas e volto tudo, porque não sei o que li”, desabafa.
Giovanna age assim por uma razão: é acelerada demais. “Quero fazer tudo ao mesmo tempo.” Tanto que, certa vez, um sujeito inconveniente a abordou para comentar: “Você está emendando uma novela na outra”. A atriz explicou que não via razão para recusar trabalhos de seu agrado. “Como falar que não quero, que vou dar um tempo? Quero mais é fazer. Estou sempre em busca de bons papéis e vou com tudo.”
De fato, Giovanna tem sido um rosto frequente na televisão nos últimos anos. Antes de Salve Jorge, esteve na série As Brasileiras e, pouquíssimo antes, em Aquele Beijo. Desde que começou a carreira nas telinhas, como assistente de palco da apresentadora Angélica, no Clube da Criança, da extinta TV Manchete, nunca mais parou. Atuou ainda no cinema e no teatro. Dona de uma carreira tão fértil, ela também é mãe (controladora, como assume) de três crianças: Pietro, 7 anos, de seu primeiro casamento, com o ator Murilo Benício; e as gêmeas Antônia e Sofia, 2, da atual união, com o diretor Leonardo Nogueira. Ou seja, Giovanna não tem tempo a perder.
No dia deste ensaio para CLAUDIA, chegou esbaforida ao estúdio da fotógrafa Nana Moraes, no bairro de Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro. Tinha atravessado a cidade desde a Zona Oeste, onde mora, em um horário cruel – perto das 9 da manhã. Ficou presa no trânsito, atrasouse e jurou para si mesma que nunca mais marcaria compromissos no mesmo instante em que boa parte das pessoas sai de casa para o trabalho. Ela estava agitada. Mas, como toda mulher, deu aquela relaxada quando deparou com os vestidos dispostos em uma arara, prontos para ser provados para as fotos. Heloísa, sua personagem vaidosa e compradora compulsiva, também ficaria feliz ali.
Heloísa é uma delegada muito feminina. Antes de interpretá-la, você tinha a impressão de que essas profissionais eram todas duronas?
Pelo contrário. A cada dia aumenta o número de delegadas, e entre elas há muitas extremamente jovens, vaidosas e femininas. É um novo universo de mulheres no poder. São pessoas comuns, mães de família, casadas, solteiras ou divorciadas, gente como a gente. Se você observar, vai ver que aconteceu uma mudança interessante nos últimos 20 anos – antigamente, era uma profissão só de homens! Agora elas se impõem, são muito respeitadas.
A delegada Heloísa é compulsiva por compras. Você também tem momentos de loucura consumista?
Acho que toda mulher tem seus cinco minutos de querer comprar tudo. Volta e meia, depois que tive as meninas, não consigo voltar pra casa sem uma sacolinha na mão. Para as meninas, a oferta é muito grande! Tem sempre um laçarote, uma presilha...
Mas seus filhos são daquelas crianças que falam: “Mãe, trouxe presente?”
Não. Quando levo, aviso antes. “A mamãe vai viajar e trazer um presente.”
Isso tem a ver com culpa?
Zero culpa. Mesmo podendo dar a meus filhos o que querem, não dou. Faço com que entendam que não se pode ter tudo. Meus pais, por exemplo, não tinham dinheiro para me dar tudo o que eu quisesse. Acho que limite é uma das melhores coisas que a gente pode dar aos filhos.
Você é pão-dura?
Zero. Sou a primeira a querer pagar uma conta, havendo ou não homens na mesa. Mas sou superorganizada com banco, dinheiro... Tenho controle de tudo. Só gasto o que posso. Nem gosto de parcelar no cartão de crédito. Tenho pavor de ficar devendo.
A sociedade de consumo fabrica desejos. Você é do tipo que “precisa” de outro celular ou de um carro zero só porque foi lançado um novo modelo?
Não tenho isso. Quando as gêmeas nasceram, quis comprar uma van. Pensei: “Pra conduzir toda essa gente, eu preciso de uma Sprinter!” Meu marido falou: “Você tá maluca. Não vou dirigir Sprinter nenhuma!” Eu disse que podia dirigir, mas ele argumentou que não caberia na garagem. Eu sou muito desencanada. Meu motorista às vezes fala: “Dona Giovanna, não está na hora de a senhora trocar esse carro?” Com celular, é a mesma coisa. Tenho este aqui (mostra seu iPhone) há anos.
Então você nunca fez uma loucura com dinheiro?
Não. Sou muito desapegada dessas coisas materiais. Eu gosto de bolsas. Acho que é meu único exagero. Às vezes, me dou uma de presente. Quando viajo, porém, sou moderada. Prefiro gastar dinheiro indo a lugares incríveis e tomando vinhos maravilhosos do que fazendo compras. O meu prazer está muito mais ligado às experiências e ao sentido gastronômico. Adoro conhecer um lugar único no alto da montanha, sabe? Nas viagens, acabo trazendo muito mais coisas para as crianças do que para mim. Eu e meu marido não saímos para ver loja. Mas saímos com um roteiro gastronômico definido.
Então, uma viagenzinha de compras para Nova York não faz, definitivamente, a sua cabeça?
Eu comprei o enxoval das crianças lá, mas porque era mais barato do que aqui. Foi uma questão de conveniência. É um daqueles casos em que se une o útil ao agradável. Mas, quando viajo, é para curtir – contemplar o pôr do sol, bater um papo agradável, tomar um bom vinho. Adoro vinhos.
Quando é a próxima viagem?
Tenho minha novela até o final de maio. Meu marido trabalha até setembro. A meta é viajar neste ano com as crianças uma vez e, depois, passar uma semana apenas nós dois. Se não der para fazer ambas as viagens, vamos só nós dois, priorizamos o casal. É uma oportunidade de curtirmos um ao outro plenamente, porque no dia a dia nossa vida é corrida. Às vezes, nos encontramos somente à noite.
Que lugares você gostaria de conhecer?
A Croácia. Dizem que é incrível. Quero fazer um passeio de barco pela região. Também quero ir à Turquia. Meu núcleo da novela não tem cenas na Turquia, ainda não tivemos oportunidade de fazer essa viagem. Mas a Itália é o lugar do meu coração. Todo ano, eu e meu marido programamos ir à Itália. Temos uma afinidade muito grande com o país – minhas filhas têm dupla nacionalidade. Ainda não conheço alguns lugares italianos, como a Costa Amalfitana. Porque o que acontece é que acabamos indo repetidas vezes à Toscana, sempre começamos o passeio por lá. Mas, ao mesmo tempo que gosto de viajar, adoro o aconchego do meu lar. Ao cinema, por exemplo, só vou quando meu marido insiste muito. Sempre espero o filme sair na locadora. Quando as crianças dormem, nem que seja 11 da noite, o momento é só nosso. À vezes a gente vê três filmes seguidos, principalmente no fim de semana, quando não precisamos acordar cedo no outro dia.
Há alguma fantasia que você gostaria de realizar a dois?
No meu cotidiano, há espaço para muitas fantasias. Para mim, não se trata de algo impossível. Sou romântica, apesar de ter personalidade forte. Gosto da ideia de passar uma noite em um lugar incrível, fazer um jantar à luz de velas com vista linda. Às vezes, realizo essas fantasias. É importante reservar momentos para o casal no dia a dia. Quando podemos, fazemos acontecer. Nós temos noção de como é importante cultivar esse tipo de carinho.
Você tem medo de quê?
Do futuro, de como será o mundo na geração dos meus filhos. Queria que eles vivessem em um lugar melhor. Além disso, a morte é algo que não consigo entender bem. A mecânica da vida é muito louca, porque, quando estamos no auge do entendimento e da sabedoria, vamos embora. Às vezes, as coisas não fazem sentido. A morte é uma pena.
Se você pudesse mudar alguma coisa em você, o que seria?
Seria menos controladora. Eu queria aprender a deixar as coisas pra lá, a deixar a vida me levar... Porque, no fundo, a gente não tem controle de absolutamente nada, mas continua com esse hábito de achar que controla as coisas.
E no seu corpo, o que mudaria?
Absolutamente nada. Sou feliz com todos os meus defeitos e qualidades. A morte é a única coisa certa no nosso caminho. Com o resto, a gente vai tendo que conviver. Tenho 36 anos, não posso querer parecer ter 20. Posso me cuidar, ter uma alimentação melhor e mais consciência do meu corpo, mas os anos passam e é preciso aceitar isso. Pirar? Esse é o tipo de comportamento que não cabe em mim.
Se tivesse o poder de mudar algo no Brasil, o que seria?
Ah, muitas coisas. Para mim, parece simples: é preciso melhorar o ensino no Brasil. A verba existe, porque a gente paga os impostos, mas é mal direcionada e roubada. Tem também de melhorar a saúde, que é vergonhosa. Sinto vontade de chorar quando vejo gente esperando para ser atendida nos hospitais públicos e nos postos de saúde. Digo às pessoas que trabalham na minha casa para irem aos meus médicos. É um absurdo que elas não possam usufruir de um serviço pelo qual elas pagam e nós também! Cara, que país é este? Isso tira o meu sono. Como gosto de controlar, essa é uma coisa que me faz muito mal. Mas estou trabalhando para mudar essa minha mania (risos).

Nenhum comentário:

Postar um comentário